Há sempre aqueles dias em que estamos pensativos, distantes. Tudo parece estar em uma outra dimensão. São os dias em que necessitamos ver tudo de um ângulo mais completo e mais neutro.
Nessas horas a melhor solução é o afastamento temporário de tudo aquilo que nos intriga ou nos inquieta. Afastar-se, nestes casos, não é uma mera forma de fugir dos problemas, mas sim de reconhecer que para cada passo mal dado existe uma conseqüência destruidora na vida e nos corações. Evitar isto é a escolha de pessoas conscientes e sensatas que enxergam no distanciamento não uma fraqueza, mas uma fortaleza.
Buscar meios de superação, adentrar-se no seu interior e encontrar suas próprias respostas só se torna possível a partir do instante que descobrimos que só a cabe a nós, apenas a nós, trilhar o caminho de nossa própria felicidade. E como encontrar a felicidade se, neste instante, os sentimentos se encontram tão confusos e perdidos que já não conseguem fazer sentir a paz tão esperada?
Eles não deixaram de existir, nem tão pouco diminuíram... Quem sabe até estão mais intensos! Só estão sendo vividos de forma equivocada... o que é para proporcionar conforto gera inquietação, o que é para gerar paz gera conflito, o que é para gerar mais amor gera ciúme.
É nessas horas que um passo para trás sai mais em conta que permanecer com os pés atolados no local em que se está. Um passo para trás pode trazer uma caminhada inteira pela frente. É isso que se espera quando se busca enxerga o problema pelo ângulo mais distante que existe, vê-lo de forma impessoal, tentando deixar de lado as convicções, certezas, mágoas e, principalmente, as influências externas.
Este passo em momento algum se torna sinônimo de desistência ou abandono. Ele é contrário a tudo que se refere à negação. Ele nada mais é que a convicção de que não se trilha descalços caminhos repletos de pedregulhos, de que não se anda muito quando se está fadigado. Parar é reiterar-se e permanecer na caminhada.
Em todas as circunstâncias de nossas vidas o termo “pare” deve ser usado como estratégia e não ser visto como falta de estímulo. Ao olhar o tráfego de automóveis percebemos que o sinal vermelho nas encruzilhadas não está indicado para que não seja seguido o caminho, mas sim pedindo atenção e paciência para que também os demais possam trafegar na mesma.
Assim acontece conosco nos tráfegos de sentimentos. Muitas vezes é necessário que um reduza a intensidade para que os outros possam trafegar.